Sobre o “desabafo” de um ex-publicitário
Nesse mundo de twitts, recebi das amigas @ace_of_hearts, @guadalupe e @jujubas um post no Blog Publicijobs que é uma carta “desabafo” de um profissional da propaganda que, desiludido com o mercado e profissão, está buscando novos caminhos.
Li o post/carta do cara e fui obrigado a concordar: o que ele fala é verdadeiro.
Retrata muito bem o mercado da propaganda de agências “tradicionais” e faz uma crítica bastante sincera sobre o mercado da comunicação.
Quando comecei a redigir meu comentário, notei que estava ficando um pouco extenso (heheheh), então, decidi somente deixar um recadinho no post e tecer minhas convulsões aqui para não me tornar enfadonho lá.
Então… “e lá vamos nós”:
Como disse, concordo que as críticas e afirmações do Thiago são verdadeiras, mas o problema como um todo começa muito mais em baixo.
Se formos pensar, nosso sistema educacional falido e defasado remonta do início da era industrial. Foi concebido para gerar mão de obra para a indústria. Como já disse aqui, “robozinhos doutrinados pela média”. Somos, desde a pré-escola, cobrados, punidos e recompensados pelos resultados, não pelo processo.
Eles não precisavam de “pensadores”, e sim de “gente” para apertar parafusos numa linha de produção.
Hoje, a gurisada entra numa universidade para seguir a mesma lógica.
Aprendem como a profissão foi “feita” até agora. Leem os mesmos blogs, veem os mesmos filmes, buscam as mesmas referências e “criam” coisas extremamente parecidas.
Questionadores sempre foram excluídos, ok, mas hoje estamos sentindo falta deles nessa sociedade apática e cinza. Não é raro ouvir comentários sobre a produção artística estar em uma fase de esgotamento de idéias, sempre com coisas “mais do mesmo”, sem algo que realmente seja uma ruptura. Falando só da música, lembram do rock 50′s/60′s, do povo de NY nos 70′s, das misturas de estilos dos 80′s tipo Faith No More, do Grunge dos 90′s. Hoje, chutamos uma árvore e caem 384 bandas EMO.
Tudo bem que possam vir pessoas falar e defender dos Indies, mas “é fácil ser fashion”. É só deixar a barba crescer, usar um óculos estiloso, o cabelo engruvinhado e roupas de brechó que tu já estás na “nova onda”. Daí faz um “improviso no canteiro” e uma legião vem falar que tu és genial.
Putz, no mínimo medíocre. Cineastas do Ossip, como costumo dizer…
Se voltassem a atenção (e a paixão) para o processo, o resultado seria consequência.
Se quisessem realmente ser ao invés de parecer ser.
Ok, voltando a propaganda.
No meio dos 80′s, algum “gênio” teve a brilhante idéia de deixar de cobrar pela “criação” para basear os lucros somente na comissão por mídia dos veículos de comunicação.
Lindo isso, funcionava perfeitamente quando tínhamos 8 canas na TV para assistir, 4 estações de rádio para ouvir e 6 revistas para ler. Diria que até funciona hj (só não sei até quando).
Mas no que isso transformou o mercado?
Os “donos” de agência (baseados nesse modelo) são reféns não só dos clientes, mas também dos veículos de comunicação. Não interessa se criamos 1 ou 28 campanhas de sexta para sábado, o valor é o mesmo. O valor da comissão para veicular a peça no domingo.
Assim as agências são fábricas da FORD da era industrial. Uma linha de montagem.
E no que isso transformou os “publicitários”?
Em operadores de máquinas (ou como falamos “operadores de photoshop”) esperando o próximo PIT para entregar “para ontem” mais um pãozinho quetinho da padaria da comunicação.
Mas nem tudo está perdido, pelo que vi no post da Iris sobre a carta do Thiago.
Essa nova geração está querendo mudança.
As novas agências estão se tocando que a máquina que move as agências antigas está enferrujando e logo logo vai dar bug.
Não digo que o mundo vai mudar porque ele é “always beta”. É justamente por isso que esses modelos estagnados e engessados estão em colapso.
Essa nova geração pensa, age e trabalha de forma diferente… É só olhar as agências digitais como AG2 ou empresas como LIVE, Box, Cubo, Mob… Solucionam problemas criativamente. $$$ de mídia é consequência, se a mídia for necessária.
Isso é o mundo voltando a girar…
Continuo convulsionando.




